A arte pode ser de extremada bondade, mas também perversa. Ela denuncia o bom e o ruim, bem e o mal, é testemunha em sua clareza lapidar, e justifica porque alguns artistas ficaram na história da arte. Os séculos contemplam as obras de Rousseau, Delacroix, Raffaello, Vermeer, Bruegel, Botticelli, Giotto, Michelangelo, van Eyck, Piero della Francesca, Durer, Tiziano, El Greco, Bosch, da Vinci, Rembrandt, Caravaggio (foto), Goya; nem o tempo em sua eternidade esquecerá seus feitos. Também o tempo é bom e ruim, pois registra em sua memória os fatos que permanecem.

Artistas visuais para conhecer a fama, o sucesso, o prestigio e o reconhecimento é extremamente trabalhoso. Fazer arte é coisa séria, necessita de empenho, disciplina, coerência, renuncia, conhecimento, credo e prazer. Arte é uma revelação, uma atitude frente ao caos. Mas o fácil, o imediatismo parece estar triunfando sobre o profundo. O artista é mais servo da arte que senhor dela. Uma escuridade, um breu que se transforma em clarão , evocando , revivendo os afetos. Fazer arte é uma atitude, um compromisso com os semelhantes.

O imaginário perigo da revelação frustra carreiras, intentos, acertos. Impulsos e instintos fazem da arte um grande mistério. Um mistério que teima contra a delação, fazendo do silêncio um engasgo, negando o atroamento, o estampido dos conflitos e é neste, que se encontra saídas para a arte. A atividade imaginativa não tem censor, arrebenta em algum tempo, em algum lugar, transfigurando. O pensamento em arte é uma via dolorosa.

A ação é empoderamento, porque o desejo é insaciável nele mesmo. O desejo só quer desejar. A arte é impiedosa com quem não a leva a sério, porque seu produto atesta com clareza os enganos e é dulcíssima com os verdadeiros artistas porque avaliza o legítimo em sua autoridade intrínseca festejando o que permanecerá.

A arte situa o criador, a comunidade, seu contexto e evolução, as argumentações informativas e comparativas.

A função e a utilidade da arte é formar consciência humana.

O poder da criação está no engenho, na captura de estranhamentos, marcado no mundo irreal. O destino do artista será sempre a ocorrência, as portas de acesso entre pessoalidade e o pluralismo da época em que atua.

O esquecimento é a vingança do tempo, que pode ser temporário, mas o bom sabe esperar e o tempo é justo. Muitas representações foram enaltecidas, e entraram em descaminhos, essa filtragem no bojo da história é recorrente.

O tempo avança sobre nós, os mortais com suas cicatrizes, seus desvãos até a finitude, quando se encerra a dialética.

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