Praça Tancredo Neves, em Vitória da Conquista

Nos últimos cinco dias, a cidade de Vitória da Conquista, no Sudoeste baiano, registrou todos os seus casos confirmados de pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Segundo o último balanço divulgado pela Sesab, neste domingo (5), são quatro ocorrências. Segundo a prefeitura do município, já são cinco.

Conquista havia ficado até o dia 1º de abril sem casos registrados. As confirmações vieram justamente num momento em que o município se planejava para retomar, de maneira parcial, as atividades no comércio. O planejamento não foi mudado: neste domingo, o prefeito Herzem Gusmão publicou um decreto liberando o funcionamento, em horários reduzidos e intercalados, de lojas de varejo.

Segundo o decreto, as lojas foram separadas em dois grupos, de acordo com o segmento. Um bloco vai funcionar às segundas e quartas das 8h às 13h, enquanto o outro abrirá nos mesmos dias das 13h às 18h. Às terças e quintas, os grupos trocam de horário. Às sextas-feiras, sábados e domingos o funcionamento será proibido.

“A gente vinha se preparando também em relação ao comércio. Nós criamos esse sistema de blocos para diminuir a circulação de pessoas. E estamos exigindo também o uso de máscaras e de produtos de higiene de todos no comércio, dos empresários às pessoas do atendimento”, disse o prefeito Herzem Gusmão ao CORREIO.

Esta decisão do decreto é válida inicialmente por apenas sete dias. “Nós vamos fiscalizar e observar o comportamento da população. Vamos lançar equipes às ruas para verificarem se estão obedecendo ao decreto. Esperamos lograr êxito nessa primeira experiência. Se for preciso recuar, a gente faz, sempre com muita prudência”, completou o prefeito.

Ainda de acordo com o decreto, outras atividades seguem suspensas. As aulas na rede municipal de ensino e nas instituições privadas – inclusive de nível superior – foram suspensas por mais 30 dias. Shoppings e galerias seguem fechados por mais sete dias. O setor industrial, no entanto, está liberado para funcionar.

O prefeito disse que os casos confirmados nos últimos dias não pegaram o município de surpresa: “Já era esperado, porque nós estamos tendo uma lentidão na resposta da Sesab aos exames que estamos encaminhando. Cheguei até a cobrar o Governo do Estado em relação a isso. Sabemos que existem ainda casos represados pelos exames, e a qualquer momento vamos ter um aumento aqui. Estamos dentro da realidade”.

Herzem Gusmão lembrou que o município foi um dos primeiros da Bahia a decretar a suspensão de aulas públicas e particulares, entre outras atividades como teatros, cinemas e academias. Eventos do município, como o São João, também foram cancelados. As primeiras decisões neste sentido foram tomadas ainda em 16 de março.

O prefeito alegou que o comércio varejista não é o único setor que teve seu funcionamento flexibilizado: “Nós já tínhamos liberado toda a cadeia produtiva da construção civil, desde fábricas de cimento até lojas de materiais de construção. E também flexibilizamos o setor de autopeças, oficinas e borracharias, inclusive a pedido do Governo Federal. Conquista é uma cidade por onde passam muitos caminhões carregando suprimentos”.

Herzem Gusmão diz não ter cedido à pressão de dirigentes lojistas, como parte da oposição a ele no município apontou:

“Não tenho sido pressionado, te digo com toda a sinceridade. Como disse, já tinha flexibilizado o serviço de outros setores importantes. Estamos flexibilizando e monitorando. Não vamos liberar, claro, o funcionamento de escolas, universidades, teatros e academias. Isso seguirá fechado”, garante.

Segundo ele, Vitória da Conquista tem tomado providências para liberar o comércio de maneira segura: “Nessa semana começa a funcionar um núcleo de triagem da covid-19. Vai facilitar muito a detecção da doença. Isso será combinado ao monitoramento que já fazemos nos bairros da cidade, desde os primeiros sintomas como coriza, que pode ser até de gripe comum”.

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