(Foto: Reprodução/Twitter)

Em meio a pandemia do novo coronavírus, as pessoas estão passando mais tempo online e, consequentemente, a ‘máquina de memes’ não para. O meme do momento no Brasil e no mundo é a “dança do caixão”, em que um grupo exibe seu inegável talento carregando um caixão no meio de um funeral sob um ritmo eletrônico (Astronomia 2K19 de Stephan F.).

As imagens (veja vídeo abaixo) começaram a ser usadas para ilustrar situações do dia a dia durante a epidemia do novo coronavírus. Mas qual seria a origem dessa imagem? Segundo a BBC, trata-se de um cortejo fúnebre, que aconteceu, de fato em Gana, na África.

“Os carregadores de caixões elevam o ânimo nos funerais no Gana com danças loucas. As famílias pagam cada vez mais dinheiro pelos seus serviços para que se possam despedir dos seus entes queridos desta forma”, explica um documentário da BBC.

Esta seria uma nova tendência no mercado funerário no país africano, com profissionais fazendo permances de dança durante o evento.“Quando o cliente vem até nós, perguntamos: ‘Você quer algo solene ou um pouco mais de teatro? Ou talvez uma coreografia?’”, diz Benjamin Aidoo, chefe dos carregadores de caixão, em matéria para a “BBC”.

À BBC, ele explica por que decidiu adicionar coreografias em uniforme a seus serviços e diz perguntar a seus clientes se “você quer que seja solene ou você quer um pouco mais de espetáculo?”. A cliente que contratou a dança diz: “Decidi dar a minha mãe uma viagem dançante para o criador”. A música que estão dançando, tocada pela fanfarra que também é parte do serviço, é jazz africano. 

Música original

Música do meme

Dançarinos pela primeira vez no YouTube

O vídeo dos dançarinos do caixão apareceu pela primeira vez no YouTube em 2015, quando uma usuária precisou viajar para Gana para assistir uma sessão fúnebre da sua sogra. “Eu testemunhei uma performance incrível! Os praticantes de dança profissionais homenagearam orgulhosamente ‘a casa’ da mãe com movimentos corporais de tirar o fôlego”, publicou ela.

Com a animação, o velório se torna, além de uma despedida, uma celebração da vida do defunto. Os ganenses sempre deram muita importância pública aos enterros que, aos poucos, se transformam em acontecimentos de grande importância e de muito luxo.

Vale lembrar que a África tem tantas tradições funerárias quanto povos. Entre elas, há os enterros festivos, celebrando a vida, não a morte. Particularmente notórios na África Ocidental, entre populações cristãs e politeístas de Gana e Nigéria – muçulmanos fazem funerais discretos. A despedida vem na forma de grande evento social. Um funeral nesses países, envolvendo música, dança, banquetes, bebida, pode ser mais caro que um casamento, com ricos exibindo sua opulência e pobres, acabando com suas economias. É marcado para o sábado, de forma que os convidados possam chegar e as preparações serem feitas. Durante a semana, o corpo espera no necrotério.

Funerais felizes geralmente se reservam a pessoas mais velhas, que tiveram uma vida realizada e uma “boa morte”. Mortes trágicas e antes do tempo contam com eventos discretos, indicados por uma cruz no caixão e uso de vermelho e preto, as cores do luto doloroso. Funerais festivos usam branco e preto. Às vezes, é os dois ao mesmo tempo: os parentes próximos sofrem e vestem vermelho e preto, os outros festejam. Alguns no próprio país condenam o que enxergam como desperdício.

De acordo com a Folha de S.Paulo, antes da dança viralizar, Gana já tinha fama por seus caixões “fantasia”, representando alguma coisa importante ou simbólica para a pessoa falecida, como carros, celulares, garrafas de Coca-Cola.

A tradição da festa na despedida foi levada da África Ocidental pelos escravos. Pode ser vista nos funerais jazz de Nova Orleãs e as cerimônias do vodu haitiano.

Mas, durante a crise do Covid-19, cerimônias como essa foram banidas e a colorida indústria funerária do país está parada.

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