As mãos de Popó, que já derrubaram muita gente nos ringues, se abrem agora para a solidariedade

Acostumado a entrar nos ringues e encarar grandes adversários, o ex-pugilista baiano Acelino Freitas, o Popó, decidiu comprar outra briga: a de quem está passando fome durante a pandemia do novo coronavírus.

Desde o início do surto da doença no Brasil, Popó tem ajudado com doações instituições carentes. Agora, ele resolveu desfazer de um de seus troféus para ajudar quem precisa.

Em suas redes sociais, Popó anunciou o leilão de um item que, para ele, tem um enorme peso sentimental. O ex-lutador vai abrir mão do cinturão de campeão mundial que conquistou em 2002, ao vencer o cubano Joel Casamayor, em uma luta que teve 12 assaltos eletrizantes. A ideia de Popó é usar o dinheiro arrecadado para comprar cestas básicas.

Em contato com o CORREIO campeão mundial explicou a ação e não escondeu a emoção. “É só eu lembrar que um dia alguém matou a minha fome. Quando eu olho para trás e lembro que alguém me ajudou… Eu lembro que a gente às vezes não tinha o que comer, ficava na porta de casa sentado e vinha uma senhora e trazia um resto de comida, alguém trazia um pão e dava pra gente. Isso não é nada mais que obrigação minha. Eu tenho obrigação em ajudar, fazer isso”, disse ele antes de concluir:

 “Quantas vezes eu lutei no Balbininho e as pessoas pagaram ingresso para me assistir? As pessoas ligadas na televisão às 2h, 3h da manhã para me assistir. Então, é obrigação minha retribuir tudo isso, a torcida, as orações. Eu me sinto na obrigação de dar esse retorno para essa nação nossa que está precisando”.

O anúncio do leilão foi feito no último sábado, com lance inicial de R$ 20 mil. Ontem, pelo menos três interessados já haviam se manifestado e o lance já está em R$ 31 mil. Segundo Popó, o leilão será feito através de mensagem na rede social, mas ele alerta que não vai esperar muito tempo.

“A minha rede social que eu tenho mais visualizações e seguidores é o Instagram (@popofreitas), são quase 300 mil seguidores. Então, eu lancei no Instagram que vou fazer esse leilão. Três pessoas já deram lances, já chegou a 31 mil, mas eu não posso demorar tanto porque quem está com fome não pode esperar. Acho que até o próximo domingo eu já encerro. Quem der mais nas redes sociais eu mando os dados da minha conta, pego o endereço e envio o cinturão pelos Correios para a pessoa”, explica Popó.

“Tem uma pessoa que entrou em contato comigo que trabalha com leilão e me perguntou se poderia colocá-lo em um site, eu permiti. Mas de antemão, vai ser nas minhas redes sociais. Uma pessoa do Japão ofereceu R$ 25 mil, uma pessoa de Belém do Pará deu R$ 30 mil, e outra pessoa de Fortaleza deu R$ 31 mil”, revela.

Popó conta que já sabe bem o que vai fazer com o valor arrecadado no leilão. A ideia dele é comprar cestas básicas e distribuir em comunidades carentes de Salvador.

“Eu já fiz algumas doações, umas 300 cestas básicas para asilos, e álcool também. Mas eu quero ir em comunidades carentes. Eu peço ao líder comunitário que me dê o nome das pessoas mais necessitadas para que a gente possa ir na casa entregar. Eu fiz assim ontem (sábado) lá no Pela Porco. Procurei saber quem eram as pessoas mais necessitadas e entreguei 50 cestas básicas. Tem muita gente do trabalho informal que está em casa. O cara que vende picolé, a mulher que vende cerveja, quem vende água na sinaleira… Essa galera tá passando fome. É esse pessoal que eu quero ajudar”, conta.

Peso sentimental 
Apesar de representar um dos seus principais títulos, Popó conta que não pensou duas vezes na hora de leiloar o cinturão conquistado sobre Casamayor. O baiano diz que não tem problema em se desfazer do bem material, já que a vitória em cima do cubano já está marcada na história.

“O valor sentimental do cinturão não tem preço. Mas o material do cinturão se desgasta. Eu usei esse cinturão há 18 anos, ganhei em 2002. Não é que seja um cinturão velho, é um cinturão de campeão mundial. Eu posso até pegar esse bem material e fazer o leilão, mas a lembrança de que eu fui campeão mundial pela Associação Mundial de Boxe ninguém pode apagar. Ninguém tira. Faço questão de doar o cinturão, até porque quando eu morrer não vou levar nada”, explica Popó.

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