O motivo pode não ser o melhor, mas o fato é que na quarentena algumas pessoas têm tido mais tempo para se atualizar sobre os lançamentos culturais. Essa semana, por exemplo, a música ganha uma série de novidades que podem servir de passatempo enquanto se espera por dias melhores. Titãs, Cazuza (1958-1990)e Chico Buarque estão entre os artistas que vão dar um tom diferente ao isolamento social.

Curiosamente atual, a música Sonífera Ilha ganha uma releitura minimalista no recém-lançado EP Titãs Trio Acústico, primeiro de três EPs que serão disponibilizados pela banda Titãs nas plataformas digitais, ao longo do ano. A canção de 1984 ganhou um clipe inédito, no qual artistas como Fernanda Montenegro, Fábio Assunção, Lulu Santos e Rita Lee aparecem em cenas separadas, cada um “isolado” em sua casa.

Os convidados se dividem para cantar trechos da letra feita para o primeiro disco da banda, que diz: “Não posso mais viver assim/Ao seu ladinho/Por isso colo o meu ouvido/No radinho/De pilha/Pra te sintonizar”. Qualquer semelhança com o atual momento de isolamento social é mera coincidência, lembra o guitarrista do grupo, Tony Bellotto.

“Foi uma coisa casual, mas uma dessas coincidências significativas”, conta Bellotto, ao CORREIO, sobre o clipe que estava pronto há meses. “Nosso diretor teve a ideia de fazer com pessoas que tivessem a ver com nossa história e combinou de ir aonde estivessem. Cada uma sozinha, em seu canto. Acabou que o clipe virou um alento para muita gente nessa quarentena, porque de certa forma a música conectou as pessoas”, comemora.

Show
Além de Sonífera Ilha, o novo EP dos Titãs reúne sucessos como O Pulso e Família, que fizeram parte de um dos discos mais celebrados do grupo, o Acústico MTV, que completou 20 anos em 2017. A ideia era celebrar o aniversário na época, mas o grupo formado hoje por Tony Bellotto, Branco Mello e Sergio Britto estava envolvido em outro projeto e a ideia ficou para depois.

Enquanto isso não acontecia, o trio decidiu fazer um show minimalista para a data não passar em branco. Mas acabou que a apresentação virou turnê no ano passado e os Titãs decidiram registrar o resultado nesse novo projeto. O show inteiro tem 25 músicas e a ideia é gravar todas elas nos três EPs que serão lançados até o final do ano. “Cada EP é mais ou menos uma mostra reduzida do show”, compara Bellotto.

A primeira parte, já disponível, tem o trio tocando junto. A segunda terá cada um sozinho e, por fim, os três vão se reunir com a banda completa. “Durante o ano inteiro a gente estará lançando coisas novas e no final do ano a gente vai lançar o disco completo. Agora – e a quarentena vai evidenciar isso – as pessoas vão receber músicas de qualidade o ano todo. A gente está muito animado com esse projeto”, comemora.

Bellotto acrescenta que o momento que o Brasil e o mundo vivem leva a questionamentos e reflexões, como a importância da cultura na vida das pessoas. “A arte e a cultura estavam sendo desvalorizadas, mas, de repente com as pessoas isoladas a gente vê a importância da arte, que é quem vai alimentar a alma. Nesse sentido, estou achando muito positivo. Obriga as pessoas a refletirem”, ressalta o guitarrista.

Cazuza
Outra novidade da semana é o projeto de Bossa Nova Faz Parte do Meu Show: Cazuza em Bossa, que homenageia o cantor e compositor Cazuza (1958-1990). O disco lançado na semana de seu aniversário, pela Som Livre, conta com Leila Pinheiro, Roberto Menescal e Rodrigo Santos interpretando oito sucessos do artista, em novos arranjos. 

Já disponível em todas as plataformas digitais, o álbum conta com clássicos como Preciso Dizer Que Te Amo, Codinome Beija-Flor, O Tempo Não Para, Exagerado e Ideologia. O projeto prevê, ainda, videoclipes que estarão disponíveis em breve no YouTube, além da versão física do CD e DVD que tem direção musical de Jacques Júnior. Por fim, o projeto também contempla uma turnê, ainda sem data definida.

“Se o público de casa sentir a alegria que eu, Menescal e Rodrigo sentimos ao gravar em bossa essas músicas do Cazuza (e seus parceiros), já terá valido tudo a pena!”, enaltece Leila Pinheiro. “Viramos de ponta cabeça as harmonias das canções e elas seguem frescas e lindas, fortes e oportunas como sempre, agora com outra pegada. Soam como oito ‘Cazuzas’ no melhor das suas sempre necessárias palavras e atitudes”, completa.

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