Em Recife, João Victor treina no quintal de casa na companhia do irmão José Ricardo

Em 2020, nenhum jogador do Vitória esteve mais tempo em campo do que João Victor. O zagueiro de 22 anos foi o único titular em todos os 10 jogos feitos pelo time principal do rubro-negro na atual temporada, três pela Copa do Brasil e sete pela Copa do Nordeste. “Eu fico feliz pela oportunidade e confiança que o professor Geninho está me dando”, comemorou João Victor, em entrevista ao CORREIO.

“Eu sou focado nos treinos, não brinco, treino sério mesmo, sem brincadeira”, frisou o pernambucano relevado pelo Santa Cruz, que está na cidade do Recife desde 18 de março, dia seguinte à suspensão das atividades na Toca do Leão. “Vim pra casa quando soube que iria parar, comprei logo minha passagem”, contou o zagueiro, que divide a casa no bairro da Várzea com os pais e dois irmãos. 

Filho do meio de dona Maria da Paz, 51 anos, e de seu José Ricardo, 49, João Victor conta com a ajuda do irmão mais novo para manter a forma física. É José Ricardo Filho, 18 anos, que treina com ele todos os dias no quintal de casa. Por ali, se exercitam seguindo as orientações dos preparadores físicos do Vitória e batem uma bolinha. “O quintal é grande. Dá pra fazer um joguinho”, garante João Victor.

O irmão mais velho, Mateus, 23 anos, é policial militar. A família toda se reúne à noite. “É o nosso momento de oração pelo Brasil, pela situação que estamos vivendo”, conta o zagueiro, que é evangélico. “Ficar em casa com a família é bom, mas eu queria estar treinando e jogando. É o que gosto de fazer. Já tô me sentindo mal, futebol é uma coisa que gosto e queria estar jogando”, lamentou João Victor. 

Além da manutenção da titularidade, João Victor começou e terminou em campo em nove dos 10 jogos que fez nesta temporada. A única partida que não ouviu o apito final de dentro das quatro linhas foi também a única derrota que amargou esse ano, por 1×0, para o Ceará, no estádio Castelão, em Fortaleza, no jogo de ida da terceira fase da Copa do Brasil, a penúltima feita pelo Vitória antes da paralisação dos campeonatos por causa da pandemia de coronavírus.  

Na ocasião, ele se sacrificou pelo time. Aos 41 minutos do segundo tempo, João Victor foi expulso após segurar Vinícius quando o meia do Ceará saía livre em direção ao gol do Vitória, que já perdia pelo placar simples. “Eu achei que se não matasse ali a jogada, eles fariam o segundo gol, o que tornaria mais difícil reverter. Achei que se eu fizesse a falta daria pra reverter o resultado no Barradão”.

Ricardinho cobrou a falta na barreira e o placar foi mantido. Ainda sem data definida, a partida de volta será no Barradão. A equipe cearense tem a vantagem do empate. Para avançar à quarta fase, o Leão precisa vencer por dois gols de diferença. Qualquer triunfo do rubro-negro por um gol de diferença, leva a decisão para os pênaltis.

João Victor chegou ao Vitória em setembro do ano passado e, após ficar como opção no banco em oito jogos da Série B do Campeonato Brasileiro, estreou na última rodada do torneio de 2019, no segundo tempo da derrota por 2×1 para o Coritiba, no Barradão. Inicialmente emprestado pelo Santa Cruz, o zagueiro assinou em dezembro contrato de quatro anos com o Vitória e teve 50% dos direitos econômicos adquiridos pela equipe baiana, que desembolsou R$ 800 mil para a negociação. Os outros 50% seguem com o clube pernambucano. 

“Me sinto feliz pelo Vitória ter confiado no meu trabalho. Quero dar alegrias ao clube”, projetou João Victor, que este ano já fez dupla de zaga com Maurício Ramos e com dois jogadores revelados nas categorias de base do Vitória, John e Carlos. “Tô focado esse ano. Só essa pandemia que atrapalhou um pouco, mas eu vou voltar ainda mais focado quando passar”, prometeu João Victor. Por enquanto, o jeito é seguir batendo uma bolinha no quintal de casa.

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