Presidente disse que prioridade é saúde dos brasileiros

Em seu quinto pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão desde o início do isolamento social no Brasil, para conter a pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro optou novamente por um tom conciliador. Além de reconhecer novamente a gravidade da situação e destacar a preservação da vida como prioridade absoluta de seu governo, ele acenou aos governadores e prefeitos, reconhecendo-lhes a autoridade para aplicar medidas para conter a evolução da doença. 

Foi a primeira vez que o presidente fez este reconhecimento desde o início da crise. Bolsonaro destacou o início do pagamento da ajuda de custo de R$ 600 por mês para os trabalhadores informais, o chamado coronavoucher. O presidente também defendeu o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 desde a fase inicial da doença. No discurso, ele contou que conversou com o cardiologista Roberto Kalil Filho, que admitiu ter usado o medicamento para se tratar da enfermidade.

“Após ouvir médicos, pesquisadores e Chefes de Estado de outros países, passei a divulgar, nos últimos 40 dias, a possibilidade de tratamento da doença desde sua fase inicial”, destacou o presidente. Ele ressaltou a experiência do cardiologista Roberto Kalil, que contou ter utilizado o medicamento em si, durante o tratamento do coronavírus e receitado aos seus pacientes. “Cumprimentei-o pela honestidade e compromisso com o Juramento de Hipócrates”, declarou Bolsonaro.

Parabenizando o médico, que atende ex-presidentes Lula e Dilma, ele mencionou que o protocolo de testes ainda não foi finalizado, mas disse que Kalil relatou ter ministrado o medicamento agora, “para não se arrepender no futuro”. O presidente acrescentou que a “decisão poderá entrar para a história como tendo salvo milhares de vidas no Brasil”.

Questão econômica
No pronunciamento, Bolsonaro reforçou a ideia de que é preciso resolver simultaneamente os problemas do novo coronavírus e do desemprego impulsionado pelos dias em isolamento e deu um recado a governantes que adotaram medidas, criticadas por ele desde o início da crise.

“Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos. Muitas medidas, de forma restritiva ou não, são de responsabilidade exclusiva dos mesmos. O Governo Federal não foi consultado sobre sua amplitude ou duração. Espero que brevemente saiamos juntos e mais fortes para que possamos melhor desenvolver o nosso país”, afirmou.

No início de sua fala, que durou quase cinco minutos, ele disse que seu papel como presidente é “olhar o todo, e não apenas as partes” e apontou que seu objetivo principal sempre foi salvar vidas. Ele destacou as medidas econômicas do governo. 

Bolsonaro citou o pagamento do auxílio emergencial, a liberação do saque de um salário mínimo das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e a liberação de uma linha de crédito para capital de giro.

“A partir de amanhã começaremos a pagar os R$ 600 de auxílio emergencial. Concedemos também o a isenção do pagamento da conta de energia aos beneficiários da tarifa social e disponibilizamos R$ 60 bilhões para capital de giro destinados a micro, pequenas e médias empresas”, numerou o presidente.

Panelaços
 Durante o pronunciamento, o presidente foi, de novo, alvo de panelaços pelo País. Mais cedo, ele havia afirmado, em entrevista ao programa Brasil Urgente, da Rede Band, que “não está na hora de tentar derrubar presidente”, mas que os panelaços “fazem parte da democracia”. Houve registro de atos em São Paulo, em diversos bairros, no Grande ABC  e no litoral. Em Brasília, moradores da Asas Norte e Sul também aderiram à manifestação. Houve registro de manifestações nas redes sociais em Salvador, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Rio, entre outras.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reconheceu ter enfrentado “dificuldades internas”, mas disse na tarde de ontem ter “total tranquilidade” para tomar medidas em relação à crise do novo coronavírus. Segundo ele, o “comandante do time” é o presidente Jair Bolsonaro. Os dois se reuniram no Palácio do Planalto pela manhã, após dias de tensão, quando o o presidente chegou a cogitar demitir o ministro.

Bolsonaro também afirmou que está “tudo acertado” entre ele e o ministro. O presidente disse, em entrevista à Band, que os dois estão estressados devido ao trabalho, mas negou-se a responder se cogitou demitir Mandetta. “Até em casa, a gente tem problema muitas vezes com a esposa, com o esposo, né? É comum acontecer no momento em que todo mundo está estressado de tanto trabalho, eu estou, ele está. Mas foi tudo acertado, sem problema nenhum, segue a vida”, disse. 

Em um sinal de alinhamento ao presidente, o ministro da Saúde rebateu declarações do governador de São Paulo, João Dória – desafeto declarado do presidente.  O ministro alfinetou Doria e o infectologista David Uip, que disse nesta quarta-feira ter sido ele o responsável por recomendar a distribuição de cloroquina na rede pública de saúde para tratar casos de Covid-19. Mandetta disse que a decisão foi tomada por consenso em uma reunião com outros especialistas e disse que “ninguém é dono da verdade”.

“Hoje, esse medicamento não tem paternidade. O governador não precisa querer politizar esse assunto. Esse assunto já está devidamente colocado. Precisamos que todos tenham maturidade, visão, foco e disciplina para que a gente possa atravessar esse momento”, afirmou Mandetta durante entrevista coletiva.

O ministro disse que uma recomendação para ampliar o uso de cloroquina não virá da “cabeça” de David Uip ou da sua, isoladamente.

O que se sabe sobre a cloroquina

O que é  
A cloroquina e a hidroxicloroquina são dois compostos usados no tratamento da malária, para reduzir febre e inflamação, e de algumas doenças reumáticas. 

Hipótese  
O médico francês Didier Raoult sugere o uso da cloroquina associada à azitromicina (um antibiótico) no tratamento da Covid-19, baseando-se em dois testes realizados em seu instituto. Ele cita também estudos anteriores feitos em uma dezena de hospitais chineses. 

Outros estudos   
Além da França, existem mais de 20 estudos em curso em países como  EUA, Reino Unido e 
China.

Críticas   
Entre cientistas, as principais críticas aos testes apontam para o número reduzido de pacientes, entre outros problemas.

Efeitos colaterais  
Até agora, sabe-se que o uso do medicamento pode causar efeitos colaterais na saúde dos olhos, dos rins e do coração. Por isso, o uso só deve acontecer com prescrição médica

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