Em meio à comilança tão bem-vinda na culminância da Semana Santa, não pode faltar um bom chocolate. E muito menos o vinho para acompanhá-lo, viu? Uma pena que tomar bons vinhos doces ainda não seja um costume nosso, mas a Páscoa e a variedade de ovos trazem a oportunidade que você precisava para testar essa combinação.

Para aquele ovo mais tradicional, ao leite, nada com um bom e clássico Vinho do Porto Ruby. Com pouco tempo de envelhecimento em carvalho, trazem um componente de frutas vermelhas ao paladar, deixando tudo ainda mais gostoso.

Se você é como eu e prefere sobremesas com teor de cacau de 55% a 70%, com cacau de origem, pode apostar no Vinho do Porto Tawny. Com seus aromas de nozes e frutas secas, constrói sabores com o doce que também já é bastante aromático, frutado e complexo. Uma baita experiência sensorial!

Um vinho que vai dar super certo com ambas as opções anteriores, foge à regra e é fácil de encontrar nas adegas é o Ca’ Del Sette Appassionante Rosso IGT. Elaborado com as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot, passa por duas técnicas de vinificação que garantem complexidade, corpo e maior açúcar residual: appassimento e ripasso.

Ambas são utilizadas na elaboração de grandes vinhos da região de Vêneto, na Itália: o Amarone e o Valpolicella Ripasso. O primeiro método se dá pelo secamento parcial das uvas – o que aumenta a concentração da bebida. E o segundo é basicamente o uso das cascas do Amarone para uma segunda fermentação do Valpolicella, fruto de uma mistura das uvas Corvina, Rondinella e Molinara.

E por que fica tão bom com chocolate? Porque ele mesmo já emana esses aromas do doce, bem como de frutas vermelhas maduras. É levemente adocicado, tem algo de baunilha devido aos 12 meses de amadurecimento em carvalho, além de ser encorpado e viscoso. Tão interessante que, talvez, você até esqueça da sobremesa.

Se você comprou ovos de chocolate branco, vá direto bom espumante moscatel brasileiro, docinho, cítrico, lúdico e leve. Caso esse ovo branco venha recheado com castanhas, caramelo, doce de leite, frutas vermelhas frescas ou em compota, você pode apostar em um licoroso de colheita tardia barricado de uvas brancas.

Eu tive uma excelente experiência com o Casas del Bosque Riesling Late Harvest. Feito com uvas passificadas e afetadas por botrytis, um tipo de fungo, também é envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho francês. O resultado é um vinho doce, com acidez refrescante, com aromas de tangerina e sabores que lembram nozes e mel.

Quem gosta dos chocolates com mais de 75% de cacau poderá combinar com os tintos secos que já fazem parte da refeição, especialmente exemplares com taninos mais arredondados e estágio em carvalho. Um Cabernet Sauvignon com estas características pode ser uma excelente ideia! Um tinto português também.

Outra opção, desta vez por contraste, é juntar um excelente espumante brut com chocolates amargos. O ideal é que ele seja elaborado pelo método champenoise, como um Cava ou um Champagne, pois estes têm a estrutura mais adequada para o casamento enogastronômico.

Para mais dicas de harmonização na páscoa, acesse: Um guia rápido para harmonização de vinhos na Semana Santa.

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