No dia 21 de fevereiro de 2020, Moraes se apresentou no Largo do Pelourinho

No dia 21 de fevereiro deste ano, cobri um show de Moraes Moreira. Naquela época, em plena sexta-feira de Carnaval, encarei como mais uma pauta. Da mesma forma que tinha acompanhado Daniela Mercury, Claudia Leitte, Bell Marques e outros na Barra, na noite anterior, recebi a incumbência de contar como seria a apresentação de Moraes no Pelourinho. 

Nunca imaginaria o que viria a acontecer menos de dois meses depois, com a morte do cantor nesta segunda-feira (13). A notícia da morte de Moraes foi divulgada pelo colunista do CORREIO, Osmar Marrom Martins, no blog do Marrom.  Era impossível imaginar que eu estava trabalhando para registrar uma das últimas apresentações do primeiro cantor de trios elétricos do Brasil (e do mundo). 

Era uma noite especial. Sabia que ia encontrar foliões “das antigas” no Largo do Pelourinho. Na mesma noite, deveria acompanhar também o show de Armandino, Dodô e Osmar e os Irmãos Macêdo, em comemoração aos 70 anos do trio elétrico – e que, pela ordem da programação, vinha antes de Moraes. Já calejada com a muvuca dos circuitos Barra e Campo Grande, fiquei surpresa com a tranquilidade no Pelô. Em oito anos no CORREIO, coincidentemente nunca tinha sido escalada para lá antes. 

De fato, o clima era de nostalgia. Conversei com famílias inteiras e até com uma idosa de 79 anos que não parava de dançar. Todos ansiosos para vê-lo. Os Macêdo, no palco, falaram sobre Moraes. Elogiaram o primeiro cantor dos cantores de trio na apresentação que homenageava o trio. Pensando bem, talvez aquela fosse mesmo uma despedida. 

Eu já tinha acompanhado o trio de Moraes como foliã, anos antes. O trabalho na folia me impediu de vê-lo mais vezes fora do trabalho. Mas, ao vê-lo naquele dia, achei que estava um pouco diferente daquela vez há quatro ou cinco anos. 

Mesmo assim, tocou muito. Enquanto ele tocava e cantava, derretia-se para o Pelourinho. Lembrava de Carnavais históricos. “Eu já passei por tantos carnavais aqui na Bahia e o povo no chão  pedia para a gente cantar. E hoje em dia o  trio elétrico é essa loucura toda”, disse ele –  e cheguei a escrever na reportagem publicada no mesmo dia. 

Não consegui curtir. Fico focada demais no trabalho, quando estou em pautas. Também não pude ficar até o final. Precisava voltar para a redação. Não consegui nem mesmo entrevistá-lo naquela noite – ele só falaria depois do show. Saí com duas coisas em mente: 1) na próxima vez, faria a entrevista com calma; e 2) no ano que vem, se tudo desse certo, me programaria para um dia de foliã no Pelourinho. Sonhei com a possibilidade de ver aquele show – tanto Moraes quanto os Irmãos Macêdo – sem o compromisso do trabalho. 

Infelizmente, não terei mais a chance. Felizmente, minha profissão me permitiu ver aquela apresentação história.  

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