Ramires está no Basel desde setembro do ano passado e ainda não sabe se vai seguir na equipe

Ir para o treino, receber as instruções do treinador, concentrar para os jogos, ouvir o barulho da torcida nas arquibancadas. As situações descritas são totalmente comuns na vida do meia Eric Ramires, mas, desde o início da pandemia do novo coronavírus, o cenário mudou para ele e praticamente todos os jogadores de futebol pelo mundo.

Emprestado pelo Bahia ao Basel, da Suíça, desde setembro do ano passado, o garoto de 19 anos viu a sua rotina ser alterada desde o surto da Covid-19 no país. Com os torneios paralisados, ele está em isolamento e só tem saído de casa para atividades extremamente necessárias.

“A Suíça é um país muito pequeno e a propagação do vírus foi muito rápida. Eu saio de casa apenas para ir ao mercado e vejo poucas pessoas na rua, mas eles não estão em quarentena total e muitas pessoas ainda estão circulando pela cidade. Mas eu só saio de casa para ir mesmo no mercado”, contou o meia.

Mais de 25 mil casos do coronavírus foram confirmados na Suíça e cerca de 1,3 mil pessoas morreram por conta da doença.

Ramires explica que, apesar de não sair de casa, tem seguido uma rotina de exercícios construída pelo Basel. A cartilha foi passada para todos os atletas, de acordo com o perfil de cada jogador, e eles ainda são acompanhados pelos preparadores físicos do clube.

Adaptação e experiência

No contato com o CORREIO, o jogador contou como tem sido a passagem pelo futebol europeu. Com apenas dois jogos pelo Basel desde que chegou, ele diz que o clima e a língua dificultaram na adaptação e lembra que a lesão que sofreu na coxa logo na estreia pelo clube também atrapalhou os planos.

“A adaptação é bastante difícil. Tem o clima, idioma, até a comida é um pouco complicada, mas com o tempo consegui me adaptar bem, tem o Arthur (Cabral, atacante) aqui, que é brasileiro e isso facilita”.

Depois, falou um pouco sobre a contusão no seu primeiro jogo. “Foi uma das minhas primeiras lesões e que me deixou mais tempo fora dos gramados, quase dois meses. Isso foi muito difícil porque no Bahia eu sempre jogava, mesmo quando estava no banco entrava durante as partidas. Mas também foi um momento que tive muita paciência comigo mesmo para voltar da melhor forma. Vida de jogador é assim, nem sempre vamos jogar e temos que levar isso de aprendizagem para a vida”, continuou.

Antes da paralisação dos torneios, Ramires vivia momento de crescente no Basel. Seu último jogo foi no dia 27 de fevereiro, quando saiu do banco e ajudou a equipe a vencer o Apoel, do Chipre, por 1×0, e garantir vaga para encarar o Eintracht Frankfurt nas oitavas de final da Liga Europa. Apesar dos poucos minutos em campo, ele não escondeu a emoção por disputar o torneio.

“Foi muito bom jogar. Era um sonho desde criança jogar na Europa, ainda mais jogar uma fase decisiva da Liga Europa, agora estamos nas oitavas de final e quem sabe a gente possa dar um passo grande e chegar nas cabeças”, projetou o meia.

Com contrato de empréstimo se encerrando no mês de junho, Ramires ainda não sabe se vai seguir na Europa. Para ficar com o meia em definitivo, o Basel precisa pagar ao Bahia cerca de 6 milhões de euros. Outros clubes do Velho Continente também demonstraram o interesse em contar com o atleta. Independentemente do desfecho, o jogador garante que conseguiu colher bons frutos da sua passagem no futebol europeu.

“Analiso que foi uma passagem que aprendi bastante. É muito bom estar na Europa, conhecer novas culturas, novos idiomas, outras pessoas. Claro que queria jogar mais, queria ter mais minutos, mas esse momento me fez crescer como pessoa, aprender a ter mais paciência que na hora certa vai dar tudo certo. Não resolvemos ainda o que vai acontecer, se eu vou voltar para o Brasil ou vou ficar aqui, mas o que for eu estou preparado. Estou focado aqui no Basel agora e tenho certeza que vai dar tudo certo”.

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