Um dia antes da demissão de Sergio Moro, 23, a rede de perfis bolsonaristas no Twitter negou qualquer tipo crise no governo e decidiu atacar a imprensa. Parlamentares da base de governo e blogueiros conservadores usaram termos como “fake news”, “mentira” e “extrema-imprensa” para desacreditar a informação de que o ex-juiz pediria demissão.

No dia seguinte, 24, com confirmação da saída, o teor do conteúdo propagado no Twitter se tornou na maior parte desfavorável ao presidente: 84,7% dos tuítes tratavam o tema de forma negativa, principalmente em relação à imagem do Bolsonaro, como noticiou Veja em um levantamento exclusivo. Três das hashtags que estiveram no topo dos assuntos mais comentados mencionavam a saída de Bolsonaro do governo. Eram elas: #bolsonarotraidor, #tchaubolsonaro e #forabolsonaro.

No entanto, neste domingo, 3, após Moro ter realizado um depoimento que pode comprometer o presidente no sábado, 2, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, se organizou na rede social, por parte dos apoiadores do governo, uma onda de ataques críticos a Moro. Entre os maiores agitadores estão os perfis bolsonaristas Lets_Dex, BrazilFight, Marcos Quezado, o blogueiro Paulo Eneas, o youtuber Bernado Kuster e o deputado Carlos Jordy. Além dos filhos do presidente Carlos e Eduardo Bolsonaro.

A hashtag #MoroX9Traidor, por exemplo, com mais de 60 mil menções, figurou entre os assuntos mais comentados da rede em simultâneo com a hashtag #TodoPoderEmanaDoPovo, usada pelos que sinalizam apoio ao encontro de bolsonaristas em Brasília, na tarde deste domingo. No sábado, Judas foi outro termo usado pelo próprio presidente Bolsonaro para atacar o ex-ministro, e ficou entre os termos mais falados da rede durante o dia.

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