O zagueiro Lucas Veríssimo não vai deixar o Santos tão cedo. Em reunião na noite de quinta-feira, em Santos, o Conselho Fiscal do clube rejeitou mais uma vez a venda do jogador ao Benfica, de Portugal. O órgão entende que os moldes da negociação com o clube de Lisboa “afetarão gestões futuras” do time santista. Foi a segunda vez que o Conselho Fiscal apresenta contrariedade ao negócio, o que já havia acontecido na reunião realizada no dia 17 de novembro. Com isso, a pauta nem foi levada à votação pelo Conselho Deliberativo, por questões estatutárias.

O clube português previu a compra dos direitos econômicos de Lucas Veríssimo por 6,5 milhões de euros (R$ 40,6 milhões) em cinco parcelas (uma por ano), a partir de 2022, com o zagueiro se apresentando ao técnico Jorge Jesus em janeiro e atuando em 2021 por empréstimo. A ideia era que o Santos antecipasse o montante por meio de uma instituição financeira belga, com juros Dessa forma, o clube só embolsaria pouco mais da metade do que o oferecido: 3,8 milhões de euros (R$ 23,7 milhões). Por causa do período eleitoral do Santos (o pleito para presidente e conselheiros será no próximo dia 12), os Conselhos Deliberativo e Fiscal precisam dar o aval para qualquer transferência, seja de chegada ou saída do clube. Assim, não haverá acerto com o Benfica e, ao menos por enquanto, Lucas Veríssimo permanece no Santos.

O zagueiro também tem oferta do Al Nasr, da Arábia Saudita, já aprovada pelo Conselho Fiscal, que considera a proposta “favorável ao fluxo de caixa” do clube. O Conselho Deliberativo também deu o aval para a negociação. No entanto, Lucas Veríssimo não possui interesse em ser negociado com o futebol árabe e já teria, inclusive, recusado a proposta dos sauditas. Os árabes ofereceram 6,5 milhões de dólares (R$ 33,4 milhões), com pagamento em duas parcelas: a primeira 10 dias após a assinatura do contrato e a outra até janeiro de 2021, também por 100% dos direitos econômicos do defensor. Com o repasse aos intermediários, o Santos receberia 5 milhões de dólares (R$ 25,7 milhões).

Agora a diretoria do Santos terá de buscar outras soluções para descomplicar os problemas financeiros. O presidente Orlando Rollo acredita que a venda do zagueiro era a “salvação do clube”. “Sem esses recebíveis, não tem previsão de pagamento de salário aos atletas em dezembro. Pode ser que atletas saiam em janeiro de graça. A proposta não é a melhor, mas trouxemos opção de salvação do clube para o Conselho. Ou seja, Comitê de Gestão está isento de responsabilidade. Em janeiro, o atleta (Lucas Veríssimo) poderá sair de graça em função do acúmulo de recebíveis atrasados. Não estou dizendo que vai, mas poderá. Respeito o Conselho Fiscal, mas era uma negociação viável”, disse Rollo, durante sua argumentação aos conselheiros.

*Com informações do Estadão Conteúdo