Nas proximidades da Praça da República, um estacionamento passou por oito meses de reforma para dar lugar a um espaço cada vez mais raro de surgir na capital: um cinema de rua. “Esta sala é a materialização de um sonho. Traz acolhimento, celebração e troca entre o cinema e o público. Nós queremos valorizar o setor e trazer de volta ao centro a possibilidade de viver e experienciar o cinema em que acreditamos”, destaca Paulo Vidiz, um dos sócios do Cineclube Cortina (Rua Araújo, 62), ao lado de Marcelo Sarti e Rapha Barreto. O espaço será inaugurado oficialmente nesta terça, 26.

Quem entra pela escadaria da porta principal se depara com as diversas mesas do bar e restaurante que faz parte do espaço multicultural. O grande diferencial, porém, está no subsolo, onde antes ficavam os carros e hoje é um espaço com telão e 80 cadeiras dobráveis para apreciar filmes. Quando se abrirem as cortinas e as cadeiras forem retiradas, o mesmo lugar pode virar um espaço que comporta até 500 pessoas, para shows (às quintas) e festas (às sextas).

Os ingressos de cinema têm um valor sugerido de R$ 30, mas o cliente pode pagar menos, mais, ou até não pagar. Já as festas e os shows têm valor oficial (varia de acordo com o evento), mas contam com “meia solidária”: doando alimentos, paga-se a metade do valor.

Foram visitados mais de 50 imóveis pelos sócios do Cortina, que escolheram aquele por estar na região da República e por ser um estacionamento, buscando reverter a tendência do local onde cinemas foram fechando ao longo dos anos, transformando-se justamente em estacionamentos ou igrejas.

“A sinergia do projeto com o centro, que é palco de grande efervescência cultural, é um dos pilares que nos sustentam e nos traduzem. Queremos estar perto do público antenado, vanguardista e que não desiste da cultura”, salienta Sarti. A programação dos filmes, a cargo de Letícia Santinon, pretende priorizar obras “aclamadas pela crítica especializada e que fogem do circuito tradicional dos cinemas”, levando em conta datas marcantes ou situações contemporâneas que estejam em voga. A seleção será feita quinzenalmente. Também há a intenção de que sejam frequentes os debates com os diretores ou criadores dos filmes, em momentos de troca com o público, fazendo valer o nome de cineclube.

O pontapé inicial será dado com a exibição de Cine Marrocos, de Ricardo Calil, vencedor do festival É Tudo Verdade em 2019, que registra a decadência do local que já foi um marco do auge da Cinelândia paulistana e posteriormente se tornou abrigo para diversas famílias de sem-teto, levantando uma série de debates sociais. Novidades também terão seu espaço, como o inédito A Viagem de Pedro, que traz Cauã Reymond como o ex-imperador do Brasil.

As chefs Daniela França Pinto e Fernanda Camargo, da Casa Farnel, foram chamadas como consultoras da cozinha da casa. A ideia é oferecer um cardápio baseado em três pilares: os imigrantes (pratos com origem no Japão, Oriente Médio ou na Alemanha, por exemplo), tradicionais (como coxinhas de frango) e lembranças (sejam as das chefs, dos clientes ou dos sócios).

O balcão de bebidas, de 25 metros, está sob comando da argentina Chula Barmaid, conhecida pela arte performática na hora de servir as bebidas. “O objetivo do nosso bar é que as pessoas, quando estiverem no balcão, vivam uma cena de filme, mas não necessariamente algo que já exista.”

O Cineclube Cortina vai ser inaugurado oficialmente hoje, mas a sessão de cinema será apenas para convidados. A partir da quarta, 27, com exibição do filme Cine Marrocos a partir das 19h, tanto a telona quanto o bar e restaurante estarão abertos ao público em geral – no sábado, 30, haverá ainda um debate com o diretor Ricardo Calil. No domingo, 31, às 19h, será possível ver A Viagem de Pedro – a diretora Laís Bodanzky participará de debate com os presentes.

As festas e shows contam com organização da pesquisadora Juli Baldi e do produtor cultural Gabriel Rolim. “Apostaremos na diversidade da música nacional, recebendo uma mistura de apresentações inéditas, nomes conhecidos e, principalmente, novos artistas de diferentes narrativas, estilos e regiões do País”, destaca Juli.

Os shows estão marcados para as quintas-feiras de cada semana, às 20h. O primeiro é de um nome consagrado: Arnaldo Antunes, com Vitor Araújo e participação de Celeste Moreau Antunes nesta quinta, 28. No dia 4, o grupo Glue Trip lança o álbum Nada Tropical. Em 11 de agosto, será a vez do festival Sal City, que leva Melly, Afrocidade e Nêssa ao palco. Há ainda Tasha&Tracie, no dia 18, e Walfredo em Busca da Simbiose e O Saudade, em 25 de agosto.

Às sextas-feiras, a partir das 23h, é dia de festa. A primeira, em 29 de julho, conta com a música eletrônica do Gop Tun DJs. Em 5 de agosto, a Farofa da Piranha (início às 22h). No dia 12, Teto Preto. Em 19 de agosto, a festa Caverna e no dia 26, ¡SÚBETE!. A programação completa com preços e atrações detalhadas está disponível em https://www.sympla.com.br/produtor/cineclubecortina.

DICAS DA PROGRAMAÇÃO
Filme de estreia

A exibição do filme Cine Marrocos, de Ricardo Calil, às 19h de quarta, marca oficialmente a abertura do Cortina – no sábado, após a sessão das 19h, ocorre debate com Calil.

 

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