Sempre que pode,  Jair Bolsonaro reserva uma parte de suas aparições públicas para espetar os advesários. Na sexta-feira 26, durante uma visita ao Ceará, não foi diferente: “Não reclamo das dificuldades. Sofro ataques 24 horas por dia. Mas entre esses que atacam e vocês, vocês estão muito na frente. Não me vão fazer desistir porque, afinal de contas, eu sou imbrochável”, discursou o presidente, durante inauguração de trecho da BR-222. Não se sabe se essas declarações são lastreadas em pesquisas que Bolsonaro recebe ou pura intuição.

O fato é que nos últimos doze meses, período em que o país perdeu 250 mil vidas para a pandemia de coronavírus, Bolsonaro foi alvo de 9 milhões de tuítes com hashtags negativas, incluindo ForaBolsonaro, BolsonaroGenocida, ImpeachmentBolsonaroUrgente, e BolsonaroAcabou.  Por outro lado, neste mesmo intervalo, foram registrados 18 milhões de tuítes —  exatamente 100% a mais —  com hashtags positivas em favor do presidente da República: Bolsonaro2022, FechadocomBolsonaro, EuapoioBolsonaro, Bolsonaro2026 e BolsonaroOrgulhodoBrasil, entre outras.

O números foram tabulados pela empresa Bites. Na guerra digital, o presidente continua levando uma enorme vantagem sobre os adversários. Seus posts são replicados milhões de vezes, independente do tema.  As mensagens que registram o maior número de interações, por exemplo, nem sempre tem a ver com política. Muitas vezes estão associadas à brincadeiras ou piadas.

Um dos posts mais  populares traz  uma imagem distorcida do presidente, como se fosse um fantasma.  “Bom vídeo”, escreveu Bolsonaro, em novembro do ano passado. Foi o bastante para o comentário rendeu mais de 8 milhões de visualizações. Nesse espectro de variedades, um dos campeões de audiência continua sendo o famoso golden shower — o vídeo em que dois homens aparecem numa bizarra prática sexual durante o carnaval. Isso não quer dizer que a política está em segundo plano no mundo digital.

Entre os dez tuítes mais replicados nos últimos 12 meses,  está uma mensagem de janeiro de 2019, na qual o presidente faz críticas ao candidato petista derrotado na eleição de 2018, Fernando Haddad.

Desde o início do governo, Bolsonaro ganhou 16 milhões de seguidores. Hoje, o presidente conta com 39 milhões de pessoas em suas  redes sociais, incluindo Twitter, Instagram e Facebook. É um número que, em tempo eleição, pode fazer novamente a diferença.  “A nossa conclusão é de que o grupo pró-Bolsonaro é mais organizado e estruturado que  seus críticos, que não conseguem se concentrar em um único tema contra o presidente”, analisa Manoel Fernandes, diretor da Bites. Bolsonaro, ao que tudo indica, ainda continuará soberano no embate digital.

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