Parecido com um elétron, mas muito mais pesado. Este é o múon, partícula que está no centro de uma pesquisa do Fermi National Accelerator Laboratory, ou Fermilab, em Batavia, no estado americano de Illinois. Nesta quarta-feira, os físicos responsáveis pelo experimento disseram ter encontrado evidências que desafiam o chamado Modelo Padrão, que explica todas as partículas e forças conhecidas e como elas interagem.

A descoberta mostra que o múon apresenta uma variação em seu momento magnético que só pode ser explicada pela interação com alguma partícula ou força ainda desconhecida. O experimento Múon g-2 (lê-se múons gê menos dois) confirmou o indício de uma anomalia detectada em 2001 por outro experimento, realizado no Laboratório Nacional Brookhaven, mas que não tinha a precisão necessária.

O doutor Chris Polly, que trabalhou a maior parte de sua carreira nessa pesquisa, e seus colegas – uma equipe internacional de 200 físicos de sete países – descobriram que os múons não se comportaram como previsto quando atingidos por um intenso campo magnético no Fermilab.

Por décadas, os físicos confiaram e foram limitados pelo Modelo Padrão, que explica com sucesso os resultados de experimentos com partículas de alta energia em lugares como o Grande Colisor de Hádrons do CERN. Mas o modelo deixa muitas questões profundas sobre o universo sem resposta.

A maioria dos físicos acredita que há muitas descobertas a serem feitas. Os dados adicionais do experimento do Fermilab podem fornecer um grande impulso aos cientistas ansiosos por construir a próxima geração de aceleradores de partículas.

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