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Felipe Rassi
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Confira com Felipe Rassi como o mercado de créditos estressados deixou de ser nicho e virou pauta estratégica

Diego Velázquez
Diego Velázquez 29 de maio de 2026
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Felipe Rassi
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Segundo o empresário Felipe Rassi, durante muito tempo, o mercado de créditos estressados foi tratado como território exclusivo de um grupo restrito de operadores especializados, um nicho técnico com pouca visibilidade fora dos círculos mais sofisticados do sistema financeiro. Esse cenário mudou! O crescimento do volume de dívidas em dificuldade, a profissionalização dos processos de reestruturação e o interesse crescente de fundos nacionais e internacionais transformaram esse segmento em uma das pautas mais relevantes da gestão de ativos alternativos no Brasil e no mundo. 

Contents
O que impulsionou a expansão desse segmento nos últimos anos?Como a evolução jurídica e regulatória criou um ambiente mais operável?O que significa essa transformação para empresas e investidores?

Leia mais a seguir!

O que impulsionou a expansão desse segmento nos últimos anos?

Assim como destaca Felipe Rassi, a expansão do mercado de créditos estressados no Brasil tem raízes em múltiplos fatores que se reforçam mutuamente. O crescimento do endividamento corporativo ao longo dos anos de crédito fácil, seguido por ciclos de ajuste que elevaram o custo do capital e reduziram margens operacionais, gerou um volume crescente de empresas incapazes de honrar seus compromissos. Paralelamente, a modernização da legislação de recuperação judicial, com a reforma da Lei 11.101 e os aperfeiçoamentos subsequentes, criou um ambiente mais previsível para a negociação e reestruturação dessas dívidas.

A entrada de capital estrangeiro no segmento acelerou essa profissionalização. Fundos internacionais com décadas de experiência em distressed credit em outros mercados trouxeram metodologias, estruturas jurídicas e apetite de capital que elevaram o padrão das operações realizadas localmente. Esse movimento atraiu também a atenção de gestores brasileiros, que reconheceram no segmento uma oportunidade de diferenciação em um mercado de gestão de ativos cada vez mais competitivo.

Conforme informa o especialista no mercado financeiro Felipe Rassi, a digitalização dos processos judiciais, embora ainda incompleta, também contribuiu para reduzir barreiras de acesso à informação sobre processos de recuperação e execução. Investidores que antes precisavam de redes locais extensas para monitorar oportunidades passaram a ter acesso a dados mais estruturados, ainda que a análise qualitativa continue sendo insubstituível. Esse aumento de transparência, mesmo que parcial, é um dos fatores que impulsionou a entrada de novos participantes no segmento.

Como a evolução jurídica e regulatória criou um ambiente mais operável?

O marco jurídico é determinante para a viabilidade de qualquer mercado de créditos estressados. Sem previsibilidade sobre os direitos dos credores, os prazos dos processos e as condições de recuperação dos ativos, o risco de cada operação se torna difícil de precificar e o custo de capital se eleva a ponto de inviabilizar muitas transações. As reformas legislativas dos últimos anos no Brasil avançaram nessa direção, ainda que de forma não linear e com desafios que persistem.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

A possibilidade de aprovação de planos de recuperação com maior agilidade, as regras mais claras sobre a proteção de ativos essenciais durante o processo e os mecanismos de mediação extrajudicial ampliaram as ferramentas disponíveis para credores e devedores negociarem soluções antes que o processo judicial se torne inevitável. De acordo com Felipe Rassi, esse ambiente de maior negociabilidade reduz o tempo de resolução de impasses e, consequentemente, o custo do dinheiro ao longo de operações que, por sua natureza, demandam capital paciente.

O que significa essa transformação para empresas e investidores?

Para empresas em dificuldade, a maior sofisticação do mercado de créditos estressados representa uma mudança de perspectiva sobre as opções disponíveis. Em vez de encarar o endividamento excessivo como caminho inevitável para a liquidação, gestores e acionistas têm acesso a um ecossistema mais desenvolvido de soluções: desde a venda de ativos específicos para desalavancagem até a negociação estruturada de passivos com credores que têm interesse em preservar a empresa como geradora de valor. Felipe Rassi, em sua experiência como especialista no mercado financeiro, expõe que essa diversidade de alternativas muda completamente a dinâmica das conversas entre devedores e credores.

Para investidores institucionais, a maturação desse segmento amplia o universo de alocação em ativos alternativos com perfil de retorno diferenciado. A correlação historicamente baixa entre retornos de créditos estressados e outras classes de ativos os torna especialmente interessantes para carteiras que buscam diversificação real, e não apenas a diversificação aparente que ocorre quando ativos diferentes caem juntos nas mesmas condições de mercado.

Para o mercado financeiro como um todo, a existência de um segmento ativo e profissionalizado de negociação de créditos em dificuldade cumpre uma função sistêmica relevante: acelera a recuperação de ciclos de estresse ao permitir que capital seja realocado mais rapidamente de ativos improdutivos para aplicações mais eficientes. Mercados com maior capacidade de absorção e reciclagem de créditos estressados se recuperam de crises com mais velocidade, o que justifica o interesse regulatório em fortalecer esse segmento.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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