Companhia prepara novos eventos presenciais, amplia ações com personagens e mira o público brasileiro como mercado criativo para experiências de entretenimento.
A Disney está reforçando sua presença no Brasil com uma estratégia que vai muito além de filmes, séries e streaming. Nos últimos dias, a companhia voltou a chamar atenção ao anunciar a ampliação de seu calendário de experiências presenciais no país, incluindo novas etapas da Disney Magic Run, o retorno do espetáculo Disney Celebra em Curitiba e projetos que já apontam para 2027. A movimentação ajuda a explicar por que o Brasil vem ganhando espaço nas estratégias globais de entretenimento da empresa.
O fenômeno é interessante porque acompanha uma transformação no comportamento do público. Mesmo em uma época em que grande parte do consumo de entretenimento acontece pelo celular, pela televisão conectada e pelas plataformas de streaming, experiências presenciais continuam despertando forte interesse. A Disney percebeu que seus personagens e franquias podem ser usados não apenas para contar histórias na tela, mas também para criar eventos, encontros, exposições, espetáculos e experiências compartilháveis.
Para quem acompanha cultura pop, a principal dúvida agora é entender por que a empresa está aumentando esse investimento no Brasil e o que isso pode significar para os fãs nos próximos meses. A resposta passa pelo tamanho do mercado brasileiro, pela força das franquias e por uma tendência cada vez mais importante: transformar o espectador em participante da experiência.
Por que a Disney está investindo tanto em eventos presenciais no Brasil?
A estratégia ganhou força em 2026. Segundo informações divulgadas pela própria Disney, a Disney Magic Run foi planejada para passar por quatro cidades brasileiras ao longo do ano: São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba. A proposta combina atividade esportiva, personagens conhecidos e uma ambientação inspirada nas histórias da companhia.
Além da corrida, o calendário brasileiro recebeu diferentes formatos de entretenimento. A Disney realizou exposições como Mundo Pixar e Toy Story Ao Infinito e Além, levou Disney On Ice a diferentes capitais e promoveu apresentações especiais de Viva: A Vida é uma Festa In Concert. Também houve ativações em shopping centers e espaços públicos de diversas cidades.
O ponto mais importante é que esses eventos permitem à empresa ocupar momentos da vida do consumidor que não dependem de uma nova estreia no cinema. Um filme pode permanecer algumas horas na tela, enquanto uma exposição, uma corrida temática ou um espetáculo cria oportunidades para fotos, encontros familiares e compartilhamento nas redes sociais.
Esse modelo também transforma a franquia em algo mais próximo de uma experiência cultural. Para o público, não se trata apenas de assistir a uma história. É possível entrar em um ambiente inspirado por personagens conhecidos, participar de uma atividade e produzir conteúdo próprio. Para empresas de entretenimento, isso cria uma relação diferente com os fãs e abre espaço para novas formas de engajamento.
Quais eventos da Disney ainda chamam atenção em 2026?
Duas etapas da Disney Magic Run ainda estão previstas para este ano. Florianópolis recebe a corrida em 12 de outubro, enquanto São Paulo terá uma edição em 22 de novembro. O calendário faz parte do circuito anunciado para 2026, que também passou por outras cidades brasileiras.
Outro destaque é o Disney Celebra: Um Natal Inesquecível, que retorna a Curitiba. A programação está prevista para dezembro e reúne espetáculo natalino, decoração temática no Parque Barigui e sessões do Disney+ Open Air. A iniciativa ganhou formato próprio no Brasil depois de sua primeira edição e foi adaptada a partir de pesquisas sobre a reação do público.
Um detalhe que ajuda a entender a dimensão da produção é a estrutura profissional envolvida. O site oficial do Disney Celebra informa que o projeto mobiliza mais de 940 profissionais direta ou indiretamente, em áreas como produção, cenografia, audiovisual, segurança, alimentação, saúde, logística, atendimento e participação artística.
A experiência também incorpora recursos de acessibilidade. A organização informa que as sessões contarão com interpretação em Libras e audiodescrição, além de estrutura específica para pessoas com mobilidade reduzida e outras necessidades. Há ainda previsão de espaço de calma e kits sensoriais.
Esse tipo de iniciativa mostra como o entretenimento atual está ficando mais híbrido. Uma mesma propriedade intelectual pode aparecer no cinema, no Disney+, em produtos licenciados, em redes sociais, em exposições e em eventos ao vivo. Para o público, isso aumenta as possibilidades de contato com uma franquia. Para a empresa, amplia o período em que uma história permanece relevante.
O que essa estratégia pode significar para o entretenimento brasileiro?
O movimento da Disney também chama atenção porque a companhia não está tratando o Brasil apenas como um grande mercado consumidor. Em entrevista ao UOL, Luiza Queiroz, diretora de marketing de franquias e entretenimento ao vivo da empresa no país, afirmou que o Brasil vem sendo considerado um polo criativo para eventos. A executiva citou o Mundo Pixar como exemplo de formato criado no país e posteriormente levado para outros mercados.
Essa mudança pode ser importante para a cultura pop brasileira. Se experiências desenvolvidas localmente conseguirem conquistar o público nacional, existe a possibilidade de novos formatos serem testados no país antes de chegar a outros lugares. Isso transforma o Brasil de consumidor de tendências em potencial laboratório de novas experiências de entretenimento.
A estratégia também combina com a força das redes sociais. Eventos visualmente marcantes têm grande potencial para gerar vídeos curtos, fotografias, comentários e conteúdos feitos pelos próprios visitantes. Na prática, o público passa a funcionar como parte da divulgação, compartilhando sua experiência e aumentando a vida útil do evento no ambiente digital.
E os planos não terminam em 2026. A Disney já sinalizou uma nova experiência para 2027 relacionada a uma franquia de uma “galáxia bem distante”, em uma referência evidente ao universo de Star Wars. A empresa também pretende explorar novas oportunidades relacionadas a franquias como Frozen, acompanhando a chegada de futuros lançamentos.
A tendência indica que o entretenimento deve continuar caminhando para um modelo em que cinema e streaming são apenas uma parte da experiência. Personagens podem ganhar vida em espetáculos, exposições, eventos esportivos, espaços interativos e experiências temporárias. No Brasil, a Disney parece disposta a ampliar esse caminho, aproveitando a forte ligação do público com suas franquias e a capacidade local de criar formatos próprios.
Para os fãs, isso significa que acompanhar uma produção pode deixar de terminar quando os créditos sobem ou quando o último episódio acaba. Nos próximos anos, a história poderá continuar em outros espaços, cidades e formatos. E, se os novos projetos brasileiros conseguirem repetir o desempenho de experiências já exportadas, o país poderá ganhar importância não apenas como público, mas como criador de tendências dentro da própria indústria global de entretenimento.
Fontes utilizadas: Disney Brasil, informações oficiais sobre a Disney Magic Run · Disney Celebra 2026, site oficial · The Walt Disney Company, informações corporativas · UOL, reportagem sobre a expansão de eventos da Disney no Brasil

