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Taiza Tosatt Eleoterio
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Taiza Tosatt Eleoterio pontua por que conhecimento é a arma contra a violência doméstica

Diego Velázquez
Diego Velázquez 28 de agosto de 2024
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Taiza Tosatt Eleoterio
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Taiza Tosatt Eleoterio, profissional com experiência em apoio a mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade, elucida uma dimensão que frequentemente é negligenciada nas discussões sobre proteção social: o papel do acesso à informação como recurso de fortalecimento da autonomia. Para mulheres em situação de vulnerabilidade social ou emocional, especialmente aquelas que vivenciam ou vivenciaram situações de violência doméstica, o acesso a informações sobre direitos, recursos de apoio e redes de acolhimento pode representar uma diferença concreta na capacidade de buscar ajuda e de construir caminhos de maior segurança e independência.

Contents
De que maneira o acesso à informação pode transformar a busca por ajuda em um processo mais inclusivo? Quais direitos as mulheres em situação de violência doméstica frequentemente desconhecem?Informação de qualidade como cuidado social para mulheres em vulnerabilidade Apoio comunitário: a ponte que liga mulheres vulneráveis a serviços especializados 

Veja, nos próximos tópicos, como o acesso à informação pode influenciar o percurso de mulheres em situação de vulnerabilidade e por que ampliar esse acesso é uma responsabilidade coletiva.

De que maneira o acesso à informação pode transformar a busca por ajuda em um processo mais inclusivo? 

Uma distinção importante precisa ser feita desde o início: o acesso à informação é um recurso que amplia possibilidades, e não uma condição para que a busca por ajuda seja legítima. Mulheres que não conhecem seus direitos não são menos merecedoras de proteção do que aquelas que os conhecem. A informação não é um pré-requisito para o acolhimento, mas um instrumento que pode facilitar o processo de reconhecimento da própria situação e de acesso ao suporte disponível.

Essa distinção importa porque, em alguns contextos, a ausência de informação é apresentada como uma falha individual, como se bastasse que as mulheres soubessem o que fazer para que o problema se resolvesse. A realidade é que o acesso à informação depende de condições que vão muito além da vontade individual: disponibilidade de canais acessíveis, ausência de estigma em relação aos temas abordados, confiança nas instituições que oferecem informação e, em muitos casos, condições básicas de segurança que permitam buscar e processar essa informação.

Na avaliação de Taiza Tosatt Eleoterio, ampliar o acesso à informação para mulheres em situação de vulnerabilidade é um trabalho que precisa levar em conta essas condições, e não apenas o conteúdo informativo em si. A forma como a informação é oferecida, o tom utilizado, o respeito pela autonomia de quem a recebe e a ausência de julgamento sobre o que foi feito ou não feito até ali são aspectos que determinam se a informação realmente chegará a quem precisa dela.

Quais direitos as mulheres em situação de violência doméstica frequentemente desconhecem?

O desconhecimento sobre direitos e recursos é mais amplo do que frequentemente se imagina. Muitas mulheres em situação de violência doméstica não sabem que existem medidas protetivas disponíveis, que há serviços de atendimento gratuito, que a violência psicológica é reconhecida legalmente como crime ou que existem espaços de acolhimento que não exigem que a decisão de sair do relacionamento já tenha sido tomada.

Além dos direitos legais, há um desconhecimento frequente sobre os recursos comunitários e de saúde disponíveis: grupos de apoio, centros de referência, serviços de assistência social, espaços de escuta gratuita. Esses recursos, quando conhecidos, podem funcionar como primeiros pontos de contato que, ao longo do tempo, ampliam a rede de suporte disponível.

Conforme ressalta Taiza Tosatt Eleoterio, a informação sobre recursos precisa chegar de forma que seja compreensível, acolhedora e desprovida de qualquer mensagem implícita de que a mulher deveria já ter feito algo diferente do que fez. A linguagem que acolhe sem pressionar, que informa sem julgar, é a que tem maior probabilidade de ser recebida e processada por quem está em uma situação de alta vulnerabilidade emocional.

Informação de qualidade como cuidado social para mulheres em vulnerabilidade 

O acesso à informação contribui para o fortalecimento da autonomia de uma forma que vai além do conhecimento sobre direitos e recursos. Quando uma mulher lê sobre dependência emocional, sobre os padrões de relacionamentos abusivos ou sobre os mecanismos da violência psicológica, ela pode começar a reconhecer em sua própria experiência elementos que até então não haviam encontrado nome.

Esse processo de reconhecimento, que a informação pode facilitar, é frequentemente descrito por mulheres que passaram por situações de abuso como um ponto de inflexão. Não porque uma única leitura mude tudo de uma vez, mas porque nomear o que se viveu, ainda que internamente, começa a transformar a relação com a experiência e pode abrir uma fissura no isolamento que o abuso impõe.

De acordo com o que menciona Taiza Tosatt Eleoterio, a informação de qualidade, acessível e oferecida com respeito é uma forma de cuidado social que complementa, sem substituir, o suporte especializado. Ela não resolve o sofrimento nem oferece saídas prontas, mas cria condições para que mulheres em situação de vulnerabilidade possam, a partir do seu próprio tempo e das suas próprias possibilidades, dar os primeiros passos em direção a uma situação de maior segurança e autonomia.

Apoio comunitário: a ponte que liga mulheres vulneráveis a serviços especializados 

Ampliar o alcance da informação para mulheres em situação de vulnerabilidade é uma tarefa que não pode ficar restrita a canais institucionais formais. As redes comunitárias, os grupos de apoio, as iniciativas religiosas e os espaços informais de convivência são frequentemente os primeiros lugares em que informações sobre direitos e recursos chegam a quem mais precisa delas, justamente porque são ambientes de confiança prévia.

Quando esses espaços comunitários estão bem informados sobre os recursos disponíveis e sobre as formas responsáveis de oferecer apoio sem julgamento, eles funcionam como pontes entre mulheres em situação de vulnerabilidade e os serviços especializados que podem dar sequência ao processo. Essa articulação entre o informal e o formal é, em muitos contextos, o que torna possível o acesso ao apoio por parte de quem não teria condições de chegar diretamente às instituições.

Conforme observa Taiza Tosatt Eleoterio, o fortalecimento dessas redes de informação e acolhimento comunitário é um investimento com impacto real na vida de mulheres que, de outra forma, permaneceriam sem acesso ao suporte que precisam. A informação que chega por meio de uma pessoa de confiança, em um ambiente seguro e sem pressão, tem muito mais probabilidade de ser recebida e de produzir algum movimento do que a mesma informação em um contexto impessoal e burocrático.

 

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