A sustentabilidade deixou de ser um tema ambiental restrito, passando a influenciar o valor da produção agrícola. O empresário Wander Aguilera Almeida observa que a forma como o grão é produzido passou a ter peso nas negociações, ao lado de preço, qualidade e volume. Compradores, financiadores e consumidores vêm direcionando cada vez mais a sua atenção para o que acontece dentro da porteira.
A chamada agricultura regenerativa envolve um conjunto de práticas voltadas para a recuperação e a conservação do solo, incluindo o plantio direto, a rotação de culturas, o uso de plantas de cobertura, a integração entre lavoura, pecuária e floresta, e o emprego de insumos biológicos. Grande parte dessas técnicas já se encontra em prática no agronegócio brasileiro, que se tornou referência mundial em sistemas de produção tropical.
O que se modifica é a forma como esses atributos passam a ser mensurados, comprovados e valorizados pelo mercado. Ao longo deste artigo, entenda o que é a agricultura regenerativa, por que ela ganha espaço e de que maneira pode influenciar a comercialização de grãos nos próximos anos.
O que é agricultura regenerativa e por que ela ganha espaço?
A agricultura regenerativa é fundamentada na premissa de que o solo representa um sistema vivo, cuja vitalidade condiciona a produtividade de longo prazo. Aumentar a matéria orgânica, proteger a área contra processos erosivos e incentivar atividades biológicas são medidas sustentáveis que melhoram o uso eficiente da água e dos nutrientes na lavoura.
O interesse tem crescido por razões econômicas e climáticas. Ademais, solos mais estruturados retêm mais umidade, reduzindo perdas em períodos de estiagem, como os previstos para parte do Centro-Norte sob a influência do El Niño. Paralelamente, a redução no uso de fertilizantes e defensivos químicos contribui para a redução de custos em períodos de alta nos preços dos insumos.
Além disso, há pressão de mercado. Empresas de grande porte dos setores de alimentos, trading e indústrias de biocombustíveis estabeleceram metas de redução de emissões em suas cadeias de fornecimento. Ao analisar tal movimento, Wander Aguilera Almeida destaca que as exigências dos compradores tendem a chegar ao produtor por meio dos contratos e das condições de negociação, e não apenas por discursos ambientais.
Onde as práticas sustentáveis começam a gerar valor?
A valorização da produção de baixo carbono ainda está em construção e não ocorre da mesma forma em todas as regiões. Mesmo assim, já aparece em diferentes pontos da cadeia de grãos:
- Acesso a crédito em melhores condições: o Plano Safra 2026/27 prevê desconto de até 1 ponto percentual nos juros de custeio para produtores com o Cadastro Ambiental Rural regularizado e que adotam práticas sustentáveis certificadas.
- Programas de compradores: tradings e indústrias passaram a criar programas de fornecimento que oferecem bonificações, assistência técnica ou prioridade de compra para grãos produzidos com práticas regenerativas comprovadas.
- Demanda por biocombustíveis de baixo carbono: a produção de etanol, biodiesel e combustível sustentável de aviação valoriza matérias-primas com menor intensidade de carbono, o que pode beneficiar lavouras com manejo mais eficiente.
- Resiliência produtiva: solos mais saudáveis ajudam a estabilizar a produtividade em anos de clima adverso, reduzindo o risco de quebra e a exposição do produtor a compromissos de entrega difíceis de cumprir.

Essas frentes variam significativamente entre regiões e compradores. Wander Aguilera Almeida, responsável pelo acompanhamento das safras e da evolução das cotações, frisa que a capacidade de comprovar as práticas adotadas tende a se tornar um diferencial na negociação da produção, à medida que essas exigências se tornam mais recorrentes.
Os desafios de medir e comprovar
Para que a sustentabilidade gere valor, é preciso verificar se ela está presente. Para tanto, faz-se necessário o registro detalhado de manejo, a análise do solo, o monitoramento por imagens e, em determinadas situações, a certificação independente. Para muitos produtores, especialmente os de menor porte, esse processo representa um custo adicional e demanda conhecimento técnico.
A padronização também representa um desafio. Diferentes programas empregam métricas variadas para avaliar emissões e sequestro de carbono. Tal fato dificulta a realização de comparações e gera insegurança quanto ao retorno do investimento. O mercado de créditos de carbono no setor agrícola, por exemplo, encontra-se em fase inicial de desenvolvimento. Em avaliação de Wander Aguilera Almeida, a clareza quanto aos critérios exigidos por cada comprador constitui um fator decisivo para que o produtor avalie a viabilidade da adaptação.
Paralelamente, a tecnologia tem apresentado avanços que contribuem para a redução desses custos. Sensores, imagens de satélite e plataformas digitais facilitam o registro das práticas e a geração de relatórios, aproximando a comprovação da rotina de gestão da fazenda.
Sustentabilidade como atributo de mercado
A agricultura regenerativa e a produção de baixo carbono deixam de ser meramente escolhas agronômicas, passando a se tornar atributos negociáveis. Na esfera do agronegócio, onde atua o empresário Wander Aguilera Almeida, essa mudança tem se manifestado de forma gradativa, tanto nas exigências dos compradores quanto nas condições de financiamento.
Para o produtor, é necessário adotar práticas que proporcionem benefícios agronômicos imediatos e, simultaneamente, organizar registros que permitam comprovar o manejo. A combinação de produtividade, resiliência e comprovação tende a abrir novas oportunidades.
Ao conectar produtores e compradores, Wander Aguilera Almeida acompanha como a sustentabilidade passa a integrar a formação de valor dos grãos, ajudando o produtor a tomar a melhor decisão em um mercado que valoriza cada vez mais não apenas o que se produz, mas também como se produz.

