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Daugliesi Giacomasi Souza
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Mente e corpo: os efeitos da dança do ventre na memória e na saúde neurológica, segundo Daugliesi Giacomasi

Diego Velázquez
Diego Velázquez 20 de julho de 2026
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Daugliesi Giacomasi Souza
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Quando se observa como o cérebro responde a estímulos motores complexos, a dança aparece como um dos exercícios mais completos disponíveis para estimular memória e cognição. Entre os diferentes estilos, a dança do ventre, na avaliação de Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, ocupa lugar de destaque justamente pela quantidade de movimentos independentes exigidos ao mesmo tempo pelo corpo. Pesquisas publicadas em revistas científicas já associam a prática regular de dança a menor risco de demência e a melhora mensurável na memória espacial de praticantes mais velhos, efeitos ligados à ativação constante do hipocampo durante a atividade. 

Contents
O que a ciência já sabe sobre dança e cérebro?Por que a dança do ventre exige tanto do cérebro?Memória, atenção e a musicalidade como estímuloO que isso significa para quem pratica ao longo da vida?

Este artigo apresenta o que a ciência já sabe sobre dança e cérebro, e por que a dança do ventre, especificamente, parece exercitar a mente de forma particularmente intensa.

O que a ciência já sabe sobre dança e cérebro?

O hipocampo, região cerebral responsável por consolidar memórias, tende a perder volume naturalmente ao longo do envelhecimento, processo associado ao declínio cognitivo e, em casos mais graves, a quadros de demência. Estudos em neurociência já demonstraram que atividades que combinam movimento físico e aprendizado motor contínuo ajudam a preservar e até recuperar parte desse volume, funcionando como estímulo direto à neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de formar novas conexões ao longo da vida.

Tal como indica Daugliesi Giacomasi Souza, esses achados ganharam ainda mais força depois de pesquisas que acompanharam idosos por períodos de seis meses ou mais, registrando melhora consistente na capacidade cognitiva e na memória espacial de quem participava de aulas regulares de dança. Um estudo amplamente citado na área, publicado em revista médica internacional, associou a prática frequente de dança social a uma redução expressiva no risco de desenvolver demência, quando comparada a outras formas de atividade física sem o mesmo componente de aprendizado motor constante.

Por que a dança do ventre exige tanto do cérebro?

Diferente de estilos que priorizam movimentos sincronizados de corpo inteiro, a dança do ventre trabalha isolamentos, técnica que exige mover quadril, tórax, ombros e braços de forma independente e simultânea, muitas vezes em direções ou ritmos distintos entre si. Esse tipo de coordenação obriga o cérebro a administrar diversos comandos motores paralelos, sem que um movimento interfira no controle dos demais, um desafio neuromuscular consideravelmente mais complexo do que o exigido por danças de padrão corporal mais unificado.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Esse esforço cognitivo, na compreensão de Daugliesi Giacomasi Souza, aumenta ainda mais quando a dançarina improvisa sobre a música em vez de seguir uma coreografia fixa previamente memorizada, prática comum entre praticantes mais experientes da modalidade. Improvisar exige decisões motoras em tempo real, integrando escuta musical, memória de movimentos aprendidos e criatividade corporal em uma única ação contínua, processo que mobiliza simultaneamente diferentes redes cerebrais ligadas à audição, coordenação e planejamento motor.

Memória, atenção e a musicalidade como estímulo

A relação entre música e movimento ativa regiões cerebrais associadas à emoção, à memória e à cognição de forma conjunta, o que explica por que dançar tende a gerar maior engajamento neural do que exercícios físicos repetitivos sem componente musical ou coreográfico. Memorizar sequências de movimento, reconhecer padrões rítmicos e reagir a variações na música ao longo de uma aula representam, na prática, um treino constante de atenção sustentada e de memória de trabalho.

Essa repetição estruturada, como ressalta Daugliesi Giacomasi Souza, fortalece circuitos de memória de longo prazo de forma progressiva, à medida que o corpo internaliza padrões de movimento cada vez mais complexos ao longo de semanas e meses de prática contínua. A combinação entre estímulo físico, musical e emocional torna a dança do ventre uma atividade multissensorial completa, capaz de exercitar diferentes funções cognitivas em uma única sessão de treino.

O que isso significa para quem pratica ao longo da vida?

Os benefícios neurológicos associados à dança não se restringem a praticantes jovens, e boa parte das evidências mais relevantes sobre proteção cognitiva vem justamente de estudos conduzidos com populações mais velhas. Iniciar a prática da dança do ventre na idade adulta ou mesmo depois dos sessenta anos ainda proporciona ganhos reais de memória, coordenação e bem-estar emocional, desde que a atividade seja mantida com regularidade ao longo do tempo.

Conforme sinaliza Daugliesi Giacomasi Souza, o componente social das aulas em grupo potencializa esse efeito, somando à estimulação cognitiva individual dos benefícios emocionais já conhecidos da convivência regular entre praticantes com interesses semelhantes. Envelhecer dançando, nesse sentido, deixa de ser apenas uma escolha de lazer e passa a representar uma estratégia concreta de cuidado com a saúde do cérebro ao longo dos anos.

Poucas atividades unem tanto prazer e benefício neurológico quanto a dança do ventre, o que talvez explique por que tantas praticantes descrevem a prática como algo do qual simplesmente não conseguem mais abrir mão.

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